Com quem viajar: 10 pontos a considerar ao organizar parcerias de viagem

Viagens podem ser planejadas como experiências de descanso, relaxamento ou diversão compartilhada em família ou entre amigos, momentos românticos para um casal, aquisição de experiências ou conhecimentos em grupos ou individualmente, entre outras. Muitas vezes, uma conjunção de diferentes objetivos. Sejam quais forem, a decisão de com quem dividir estes momentos é essencial para o sucesso da experiência e bem estar de todos no processo e decidir como organizar o grupo de viajantes (ou mesmo optar por uma jornada solo), é parte importante do planejamento.

Talvez você seja o único de um grupo a querer visitar um lugar que foca especificamente em um tema inusitado e percebido como desinteressante para os demais, por exemplo. Há a possibilidade de negociar com seus companheiros de viagem e incluí-los na experiência, proporcionando uma jornada (tediosa ou ao final supreendentemente agradável a todos) para aquele museu sobre moedas medievais, loja de instrumentos musicais ou biblioteca de livros raros, ou talvez seja preferível separar-se do grupo e permitir-se, e aos demais, momentos importantes neste precioso tempo de viagem. 

Por outro lado, muitas vezes em um grupo há aquele que gosta de acordar as 6h da manhã e conhecer 25 lugares em uma cidade, atendo-se em especial aos locais indicados nos roteiros turísticos, enquanto outros tem como experiência cara às férias acordar tarde e tomar um delicioso café da manhã na padaria da esquina, sem pressa, antes de visitar qualquer ponto específico.
Ou aproveitar as baladas noturnas e acordar na metade da tarde no dia seguinte. Ou simplesmente levantar cedinho e visitar mercados locais, antes de se deparar com ruas repletas de hordas de turistas.
Uns gostam de parar tudo que estiverem fazendo e almoçar pontualmente as 12h, com  direito à entrada, pratos vários, sobremesa e cafezinho ao final. E saborear todas as delícias gastronômicas que os restaurantes locais podem oferecer. Outros preferem seguir com um breve lanche ou sanduíche e visitar lugares diferentes neste tempo que “perderiam” em uma refeição. 

Nesta linha, há ainda aqueles que em férias de 15 dias planejam “fazer” 10 países, marcando na lista os pontos turísticos principais, enquanto outros preferem ficar mais tempo em um lugar e aproveitar toda a experiência que estar nele proporciona. Fazer compras no supermercado, visitar as livrarias locais, sentar-se sem pressa em um parque ou praia e assistir a um por do sol deslumbrante.

Qualquer que seja seu caso, todas as experiências são válidas, igualmente legítimas quando se trata de escolher como usufruir de suas férias. Mas, sem dúvida, considerar as diferentes possibilidades é fundamental na organização da viagem e, neste processo, quem viaja com você é parte essencial do planejamento.

Isso dito, alguns aspectos que podem ser levados em conta ao planejar quem você vai considerar como companhia em suas próximas férias.

1. Viajar sozinho, em casal ou em pequenos grupos, pode permitir maior liberdade, mas, por outro lado, estar em grupos maiores e família ampliada poderá proporcionar experiências importantes, divertidas e que estreitam os laços entre todos, ao possibilitar que compartilhem experiências, além de alguns recursos em termos de segurança e apoio, caso surjam dificuldades.
  

2. Como regra geral, viajar com pessoas com as quais nos sentimos à vontade facilita, é claro. Tanto no sentido de aproveitar momentos compartilhados, como nas combinações para esclarecer aqueles que serão vivenciados por parte do grupo ou em atividades específicas de um dos integrantes. Não é impossível que você opte por grupos desconhecidos e dê tudo certo também, mas uma boa parceria de viagem fica mais fácil se você tem a liberdade de compartilhar o que é lhe essencial na experiência e redefinir combinações caso surjam questões durante o período. E se divertir com a companhia escolhida.

3. Considere a importância que a experiência tem para cada integrante do grupo e o que a torna especial para este. Se para alguns a viagem a Europa é uma experiência rotineira e para outros uma oportunidade única de visitar aquela tão sonhada cidade, talvez ter em conta a diferença de expectativas seja importante na organização destas férias. Isso não quer dizer que não possam existir, no mesmo grupo, objetivos e situações diferentes, mas esclarecer este ponto pode ser parte importante do sucesso da viagem.

              

4. Questões orçamentárias são importantes também. Se você pretende, por exemplo, fazer com seus companheiros de viagem as principais refeições, deslocar-se pela cidade e escolher atividades culturais em seu destino, vale ver quanto cada um está planejando gastar. Será desconfortável, por exemplo, se alguém preferir sempre deslocar-se usando taxis, fazer as refeições em restaurantes caros e frequentar teatros, reservando os lugares mais caros da platéia, enquanto outros optariam pelo transporte público, escolheriam refeições prontas ou sanduíches no supermercado e restringiriam gastos com espetáculos ou outras atividades. Será particularmente desconfortável se qualquer um se sentir pressionado a “seguir o grupo”, gastando mais do que pode, ou tiver a sensação de estar privado de experiências que poderia ter devido às impossibilidades do resto do grupo. De novo, não é impossível que essas questões possam ser explicitadas e ajustes realizados, desde que todos se sintam à vontade para expressar seus objetivos e possibilidades neste sentido. 

5. Interesses de viagem semelhantes facilitam realizar atividades juntos, embora, claro, nada impeça que determinados momentos sejam vividos apenas por parte do grupo ou um de seus integrantes. Ter claro o que cada um gostaria de visitar ou fazer no destino torna mais viável contemplar os objetivos de cada um. E permitir-se divergir no que diz respeito aos objetivos pode possibilitar ajustes para que, o que é importante para cada um, seja considerado, bem como a forma de realizar estes objetivos.

6. A vontade de estar com outras pessoas – em tempo integral ou parcial – também é algo a considerar. Você pode ser o tipo de pessoa que adora sair com amigos ou família ampliada, mas talvez também prefira manter suas experiências (ou parte delas) como atividades individuais ou familiares mais restritas. Isso pode implicar em organizar viagens sozinho, em casal, pequenos ou grandes grupos, mas também determinar que, em determinados momentos, você precisa de experiências ou momentos a sós, mesmo que viajando com muitas pessoas. Considerar este aspecto é especialmente importante se você viaja com adolescentes, por exemplo, que muitas vezes vão considerar essenciais os momentos de experimentarem o que o local oferece para a faixa etária ou mesmo estarem “em casa” (hotel, apartamento, etc), em contato remoto com amigos que estão distantes. 


7. Diferenças no modo de lidar com o planejamento e imprevistos – que certamente acontecerão durante a viagem – também podem ser consideradas. Há quem prefira “seguir o cronograma” à risca, enquanto outros se divertem ou não se importam com mudanças na organização. Há mesmo aqueles que preferem nem ter uma organização muito fechada ao pensar em seus dias de férias. Tudo bem, de qualquer forma, mas estarem todos cientes e tolerantes ao modo como os diferentes membros do grupo lidam com essa questão pode ser importante.

8. Com quem dividir os espaços escolhidos para o tempo de descanso pode ser uma decisão especial. Se você é daqueles que precisa de uma conjuntura muito específica para uma boa noite de sono, e ausência de ruídos, características especiais de iluminação ou mesmo ter a sensação de solidão ao dormir fazem a diferença para relaxar e estar pronto para o dia seguinte, vale questionar se compartilhar o quarto, por exemplo, é confortável. Talvez você prefira considerar, em seu orçamento, que algumas horas de privacidade e solidão, à noite, são essenciais.

Por outro lado, se você é daqueles que dorme “até de pé”, dividir quartos pode representar grande economia ao reservar um hotel. Você pode também optar por alugar um apartamento com quartos individuais, mas compartilhando banheiros, se isso para você não for um problema. Ou talvez prefira realmente ficar sozinho ou com sua família em um imóvel ou quarto de hotel separado do restante do grupo e manter atividades comuns durante o dia. Diferentes possibilidades, todas legítimas, se todos se sentirem bem com a organização prevista.

9. Apresentadas estas considerações... bem, diria que é essencial, para o sucesso de suas férias, que tudo isso possa ser ao menos um pouco conversado com seus possíveis companheiros de viagem. O que é importante para que cada um possa usufruir da experiência e sentir-se confortável deve ser discutido e, a partir disso, você pode definir com quem viajar, de que modo organizar os momentos de lazer e descanso e, especialmente, combinar que atividades escolherá realizar com todo o grupo, partes dele ou individualmente. Não há qualquer problema em definir que algumas atividades ou experiências só interessam a alguns e, portanto, pode ser interessante a todos que o grupo se separe nestes momentos. Da mesma forma, considerando diferentes hábitos no que diz respeito à hora de acordar e começar o dia, refeições, interesses e orçamento, pode ser uma boa ideia definir que parte das férias será pensada em grupo e parte delas, não.


10. Por fim... Lembre-se que algum planejamento prévio pode ser interessante, ajustes podem ser feitos, imprevistos certamente farão parte (e flexibilidade para lidar com eles pode salvar férias em risco de se mostrarem complicadas) e, com alguma dose de conversa, sinceridade e tolerância aos interesses, hábitos e características de seus companheiros de viagem, a parceria na experiência pode ser muito legal para todos! Bom humor sempre ajuda e mesmo surpresas e contratempos podem acabar virando uma recordação preciosa em uma viagem...

 

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